- Área: 449 m²
- Ano: 2014
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Fotografias:André Nazareth, Anita Soares
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Fabricantes: Antonio Bassous, Brennand, Chão de barro, Comercial Gerdau, Discafer, Edjur Marcenaria, Imperfer, Jorge Barbosa, Marcenaria Pica-pau, Sergio Loos, Serra tintas, Serraria Boa Vista, Serraria Itaipava, Temper master
Descrição enviada pela equipe de projeto. O projeto da Casa Correas consiste em reforma e ampliação de uma residência com criação de anexos e reformulação paisagística. O projeto buscou integrar a arquitetura com a paisagem existente, respeitando relevo, as pedras e as espécies nativas existentes no local, resultando em um conjunto de pavilhões entremeados pelo paisagismo exuberante da Mata Atlântica. Foram usados extensivamente materiais naturais como pedra e madeira, cores pouco refletivas como verde folha e cinza chumbo para as peças estruturais metálicas e verde musgo para a alvenaria externa. Peças de madeira já usadas no passado para descarga de tratores em terrenos difíceis, bastante marcadas pelo uso, foram adquiridas pelo arquiteto, desdobradas e forneceram material de textura ímpar e formatos raros como as toras de seção 30x30cm que foram usadas em grande parte da estrutura. Os casqueiros resultantes da limpeza das peças e também outros materiais de demolição foram usados para forrações de alvenaria, mobiliário, portão principal de entrada, em rodapés e alisares da casa.
Eu estava desenvolvendo para o mesmo casal, um projeto em um terreno em Itaipava, já em fase de detalhamento. Uma casa bastante horizontal, térrea, com suítes independentes para os dois filhos de 23 e 30 anos, criando anexos entremeados de jardins, em um único pavimento, lembrando as casas da pradaria de Frank Lloyd Wright que pertencem muito ao local, com estrutura mista de pedra, aço e madeira. Os proprietários conheceram e acabaram por adquirir este terreno fascinante em Correas e acabamos mudando o endereço do projeto e adaptando o programa da construção.
Aproveitamos muito do terreno existente e fizemos o projeto junto com a obra ao longo de 18 meses, com processo bastante intuitivo e participativo com os clientes, típico de obras de reformas e ampliações. Foram aproveitadas da estrutura original 3 suítes existentes, uma nova suíte externa foi criada, bem como uma cozinha integrada a sala de estar e home theater. Também foram criados anexos para churrasqueira, ofurô, academia e oficina. Uma piscina de água corrente foi criada e uma foi reformada, revestida de lascas de granito e cercada por novos decks, fazendo uso do riacho que cruza o terreno.18 meses antes, quando eles manifestaram a intenção de projetar e construir uma casa (ainda no outro terreno),eu iniciei a compra de pedras, madeiras e esquadrias usadas, material raro e de alta qualidade adquirido de diversas fontes.
Consegui nesta época também, após 6 anos de tentativa, adquirir peças de madeira do depósito de uma firma de engenharia pesada que eram usadas como decks flutuantes para descarga de máquinas pesadas em terrenos alagadiços. (Eu tinha tentado comprar para usar na minha casa, já tinha percebido o potencial do material, mas só consegui comprar depois que o terreno onde estavam armazenadas mudou de dono.) As peças ficaram anos expostas às intempéries, o que conferiu textura ímpar sem prejudicar a resistência, por tratar-se de madeiras de alta densidade: maçaranduba, garapa, pau brasil, ipê tabaco, cumaru, etc. Após limpeza com serra de bancada e lixadeira manual, foram obtidos 17 m3 de madeira em perfeito estado que compõem a maioria da estrutura da obra, associada a sistemas construtivos como perfis de aço assoalhados e impermeabilizados e lajes de concreto impermeabilizadas.
O processo de concepção do projeto buscou integrar a arquitetura com a paisagem existente através da criação de anexos, o que dispersou o volume construído em partes, tendo como resultado um conjunto de pavilhões entremeados pelo paisagismo exuberante da Mata Atlântica. O projeto respeitou relevo, pedras e espécies nativas existentes no local, foram usados extensivamente materiais naturais como a pedra e madeira, cores pouco refletivas como verde folha e cinza chumbo para as peças estruturais metálicas e verde musgo para a alvenaria externa.
Peças de madeira já usadas no passado para descarga de tratores em terrenos difíceis, bastante marcadas pelo uso, foram adquiridas, desdobradas e forneceram material de textura ímpar e formatos pouco usuais como as toras de seção 30x30cm que foram usadas em grande parte da estrutura. Os casqueiros resultantes da limpeza das peças e também outros materiais de demolição foram usados para forrações de alvenaria, mobiliário, portão principal de entrada, em rodapés e alisares da casa.
A horizontalidade da construção, a criação de anexos, a integração na paisagem, o uso de materiais naturais e coberturas leves, transparência, conceitos desenvolvidos em conjunto com o casal no projeto de Itaipava nortearam também esse projeto com bastante ênfase na adequação ao contexto existente.Influências: Zanine, Frank Lloyd Wright, Peter Zumthor e arquitetura rural em madeira do sul do Brasil e noroeste dos Estados Unidos. O terreno é enorme, porém a casa original possuía suítes pequenas, mas acolhedoras que foram aproveitadas.
A sala de estar também de medidas modestas foi ampliada criando um espaço unificado, funcional e integrado com a paisagem. As intervenções foram os anexos (academia, suíte máster, oficina, ofurô, garagem) foram construídos da fundação ao acabamento. Nas suítes não foram feitas alterações estruturais, para a extensão da sala de jantar foi feita uma nova estrutura de toras de madeira que suportam a laje de concreto impermeabilizada e abriga atividades de cozinha, estar e hometheather.
Acredito que os diferenciais do projeto são a integração da edificação com a natureza, o paisagismo como elemento de arquitetura e a materialidade da madeira, da pedra bem como a tecnicidade dos vãos e balanços executados em estrutura metálica. A sala de estar, cozinha e home theater compõe um só espaço aberto e unificado, sem divisórias. Embora tenha dimensões modestas, adaptadas da casa antiga, a solução de integração espacial e as grandes aberturas de vidro ampliam visualmente o espaço e integram a vida doméstica ao jardim e à paisagem da região.
Dessa forma, o conforto acontece no projeto através da funcionalidade e bom dimensionamento dos espaços, sem uma enorme metragem quadrada, considerada excesso de bagagem (o pecado de 3º milênio) tanto pelos proprietários como pelo arquiteto. A madeira empregada como elemento principal em piso, estrutura, esquadrias e teto, confere ao ambiente uma atmosfera tátil e acolhedora.Nos corredores, closets e banheiros das suítes foram feitas claraboias que aproveitam a luz natural.
Do ponto de vista da sustentabilidade, a reutilização de pedras e madeiras minimiza corte de árvores e de pedreiras e investe no ser humano que restaura ou retrabalha estes materiais, sendo considerado uso responsável e ecológico, ganhando pontos no LEED-GBC. A iluminação indireta em toda a casa e o um tom âmbar muito confortável. A iluminação das árvores centenárias, o tratamentos diferenciado para cada tipo de elemento, pedra, água e vegetação. O design das luminárias em tons de cobre que harmonizam perfeitamente com a estrutura de madeira e com os jardins.
Os destaques do projeto paisagístico eu diria que estão no aproveitamento do relevo, das pedras e das espécies nativas: a inserção precisa de espécies e o trabalho inteligente com aproveitamento do contexto e elementos existentes. Integração com a natureza: o uso de materiais naturais, o espalhamento da construção em edículas criando um percurso em meio ao exuberante paisagismo da Mata Atlântica e resultando em uma arquitetura mais leve e pertencente ao local. Em geral, a estrutura foi feita em toras de madeira e as partes em alvenaria receberam emboço, reboco e pintura acrílica cor verde musgo. As esquadrias novas foram feitas em freijó.
Sustentabilidade – reaproveitamento de materiais, claraboias nos closets e banheiros de todas suítes. O recurso de automação foi usada somente para irrigação, para acionamento dos cenários de iluminação e para os portões de entrada. Madeira, pedra e aço são os materiais predominantes. A madeira pelo conforto visual, anímico e térmico. A pedra, pela perenidade, foi usada em pisos nas áreas externas, nas escadas, forrações das piscinas naturais, nos caminhos e nas forrações parciais em algumas paredes externas. Estruturas de aço associadas a assoalhos de madeira impermeabilizados com manta asfáltica foram apoiados sobre as toras de madeira a fim de obter leveza, contrastando com a brutalidade das peças de madeira. O grande vão da garagem, os grandes balanços nas coberturas da academia e da churrasqueira se fizeram possíveis devido ao uso do aço, perfis tipo “i” e tubulares.
O projeto de interiores foi bastante simples, acompanhando muito o exterior e buscando adaptar o mobiliário e as obras de arte que os donos já tinham aos espaços – alguns exemplares fantásticos, como poltronas de Oscar Niemeyer do antigo Hotel Nacional e quadros da artista plástica Katharina Welper. Também digno de nota são as portas de madeira maciça antigas utilizadas nos quartos, algumas de sucupira e outras de canela preta. Foram feitos sob medida para o local as bancadas e armário da cozinha, a mesa de jantar, os aparadores da academia e sofá para home theater, em peroba rosa e canela preta.